
9.8
Classificado como 9.8 de 10
Eu gosto de séries em que os personagens agem fora da receitinha de bolo, que não tenham atitudes tão previsíveis. Amo quando estão com os pés fincados em uma realidade que não me dá a sensação de estar diante de uma fanfic adolescente, como acontece com muitas por aí.
E essa série é campeã em colocar os dois protagonistas, com personalidades tão opostas, em conflito, mesmo se amando muito. A maneira como o roteiro nos apresenta o ponto de vista de cada um, mesmo quando ambos estão certos dentro de seus próprios argumentos, foi o que mais me surpreendeu e também o que causou todo o burburinho nas redes sociais.
Alguns classificaram Flora como tola e Luke como agressivo, mas o ponto importante é que a essência e a personalidade conflitante de cada um foram preservadas. Flora é uma moça que sempre se diminuiu e se subestimou e, com isso, desenvolveu um comportamento de autodefesa e submissão, mesmo tendo uma parcela de orgulho sempre aflorando.
Por outro lado, Luke teve uma criação pautada em regras e no objetivo de nunca perder, algo que fica claro desde o primeiro encontro entre eles. Esse espelhamento inverso se revela na falta de comunicação de ambos: ela se sente insegura para questionar o que Luke pensa ou sente, enquanto ele não sabe expressar suas emoções, porque, para ele, isso significaria uma derrota. Quem escreveu o roteiro sabia muito bem como cada um se comportaria.
Não é uma questão de passar pano para o comportamento agressivo de Luke, como já disse no meu podcast noonacast, mas sim de dar valor a quem sabe trabalhar uma história. A maioria das pessoas da dramaland está acostumada a acompanhar séries que seguem uma receitinha de bolo e, comparado às histórias de CEOs, The Early Spring está a anos-luz de distância de qualquer outra com a mesma temática que assisti.
E é justamente isso que essa série entrega aos montes, inclusive com análises de psicólogos nas redes sociais fazendo um verdadeiro exposed de cada protagonista e de suas respectivas personalidades. Fazia muito tempo que uma série não agitava tanto as redes sociais quanto The Early Spring, que trouxe muitas camadas e fez dela um verdadeiro sucesso.
Claro que, nos primeiros episódios, tudo me parecia uma história previsível. Não posso dar spoiler aqui e confesso que torci o nariz diante de várias sequências, mas, depois da fase fanfic, tudo ocorreu muito bem, com momentos de texto maravilhosos, acompanhados de uma música-tema que grudava como chiclete e de uma interpretação supercharmosa de Jing Boran, tanto que segundo várias fontes foi necessário uma diretora para coordenar as cenas mais íntimas dos atores para que não ficasse vulgar, o que de fato conquistou a dramaland e conseguiu furar a bolha dos k-dramas, que sempre foram os reis da Netflix.
Foi só uma pena que a dublagem pecou por ser asséptica e incomodar pela falta de som ambiente. Mesmo com o estrondoso sucesso nas redes sociais, dividindo as opiniões em dois times — Luke e Flora —, não foi o suficiente para alcançar a nota 9,0 no MyDramaList, que ainda continua pertencendo a Pursuit of Jade/Por Você.
Esse contraste entre o impacto popular e a avaliação crítica mostra como The Early Spring conseguiu marcar presença e abrir debates, mesmo sem atingir o topo dos rankings, provando que uma série pode ser relevante e memorável sem necessariamente ser a mais bem avaliada.

Roteiro: 10
Direção: 9
Elenco: 9,8
Fotografia/arte: 8
Potencial de replay: ♥♥♥♥♥
No início de sua vida em Pequim, Shang Zhi Tao cruza o caminho do brilhante e excêntrico Luan Nian. Corajosa e intensa, ela cresce aos poucos e acaba rompendo as barreiras emocionais que ele ergueu ao longo dos anos. Atraídos um pelo outro, os dois vivem entre idas e vindas na selva urbana. Amar é gastar toda a coragem e não deixar arrependimentos. É também curar um ao outro e crescer juntos. Mas, entre o sentimento e o amor, ela escolhe sobreviver. Quando ela finalmente se torna independente e ele aprende a conter o próprio orgulho, os dois, agora de igual para igual, terão a chance de escrever um novo final juntos…


