Tenho certeza de que existem dois times de espectadores que podem assistir ao live-action de Blue Lock: aqueles que amam o mangá e o anime e aqueles que nunca chegaram perto de nenhuma das duas obras originais — que é o meu caso.
Como não sou do tipo de pessoa que deixa de fazer a lição de casa, vou dividir a minha crítica em duas partes também: a análise do filme pela visão de uma espectadora que não sabe nada de nada e outra pela visão que obtive depois de uma pesquisa e de uma rápida olhada no anime.
Parte 1 — A visão de quem não conhecia Blue Lock
A começar pela fotografia e pelo figurino, que fazem jus ao nome Blue do título. O azul e o preto são tão saturados em tela que dá para entender quase como se estivéssemos, claro, com as devidas ressalvas, dentro do universo do filme Tron. A paleta azul, preta e com tons de branco sobra e grita na tela.
A trilha sonora é muito boa e tem uma carga que se importa com o filme e faz bastante sentido com a trama toda, tendo com a música Monstruo de Ado como destaque. Juntamente com o elenco redondinho, ela completa o time todo, que, inclusive, não pesa a mão em nenhum momento. Claro, existe a salvaguarda de que toda a história precisa girar em torno do protagonista, Isagi Yoichi, interpretado pelo ator Fumiya Takahashi, que, assim como todo o elenco, cumpre o papel e nos faz acreditar que jogam futebol desde o berço.
Falando em futebol, o mangá de Blue Lock começou a ser publicado no Japão em agosto de 2018 e chegou ao Brasil em agosto de 2022 pela Panini. Com isso, temos uma curiosa representação cultural, inclusive com o nome do jogador brasileiro Zico tanto no anime quanto no longa, o que faz acreditar que o povo japonês é mais fã de futebol ao produzir esse tipo de produto do que os próprios brasileiros.
Enquanto o Japão aposta forte em ficção serializada — mangá e anime com heróis, rivalidades, treinamento intenso e arcos dramáticos longos, como Captain Tsubasa ou Blue Lock —, o Brasil historicamente prefere o realismo: documentários, biografias, minisséries baseadas em fatos e algumas ficções que misturam drama com a paixão nacional.
Não temos a mesma indústria de “heróis do futebol” inventados e serializados, mas produções sobre times, seleções e ídolos existem há décadas. Captain Tsubasa é, de longe, a obra que mais “conta a história” da seleção japonesa de forma ficcional e inspiradora. Ela ajudou a popularizar o futebol no Japão, influenciou jogadores reais e vale lembrar que o Japão venceu o Brasil por 3 a 2 em um amistoso em outubro de 2025, em Tóquio. Foi a primeira vitória oficial da história do Japão sobre o Brasil. Na Copa de 2026, porém, o Brasil eliminou os japoneses.
Anime x longa live-action
Em uma breve olhada e pesquisa na internet, descobri que as semelhanças entre o filme e o anime chegam a ser idênticas. E eu confirmei isso dando uma breve — confesso — olhada em episódios pontuais da animação.
Infelizmente, tenho pouco a acrescentar de pessoal, apenas o fato de que quem está no time dos que assistiram à animação está radiante com o grau de fidelidade ao original. E, como disse anteriormente, pelo pouco que consegui assistir, foi um trabalho incrível, que vai deixar os amantes da obra radiantes.
Mas, voltando à minha impressão, o curioso é que, fora o detalhe do azul propositalmente intenso, o que percebi entre a animação e o original é que o figurino foi bastante fiel às origens. E isso tenho que dar como mérito, pois trouxe unidade a toda a história e até um pouco de sufocamento diante do confinamento dos jogadores, porém, falando em confinamento, teve uma coisa que me incomodou, mas não sei se foi intencional foi o excesso de fumaça ou um névoa pontual durante dos jogos, de fato não entendi a intensão da direção de arte, talvez ocupar a cena para não ficar tão vazia, sem público, sabe-se lá o motivo. Mas fica aqui a minha observação.
Só por curiosidade: no anime, é interessante que, no episódio 1, eles são apresentados como 300 centroavantes sub-18. Porém, no live-action, eles falam em atacantes, que é uma posição bem diferente.
Falando da história
Vamos aos fatos. Não estamos falando de uma história nos moldes hollywoodianos. Aqui, a jornada é mais coletiva do que individual, e o maior conflito se resume mais aos campos do que fora deles.
Não há muita tensão, dando a impressão de que é um longa voltado até para um público mais jovem, muito longe de uma tensão como Round 6, por exemplo. E toda a loucura em conseguir os pontos para subir no ranking do pentágono, que divide em várias salas onde fica cada time, também é interessante. A analogia com a forma de uma bola de futebol é curiosa.
Os movimentos em jogo parecem tão animados quanto improváveis, e é interessante ver o quanto os pensamentos saltam e fazem parte da ação, com cenas do tipo: “Como conseguirei chegar até o gol?”. É um modo totalmente diferente de contar uma história e, é claro, com personagens carismáticos que poderão voltar em um outro filme, já que este ficou com um final para lá de aberto. Mas isso vai depender do que os produtores e a audiência irão ditar.
Filme japonês chega aos cinemas em 10 de setembro com distribuição Sato Company
E, como gosto de fazer sempre um paralelo com Tokusatsu…
Abaixo, a lista dos atores, seus personagens e quais séries eles fizeram:
Fumiya Takahashi (Yoichi Isagi) — Hiden Aruto / Kamen Rider Zero-One — Kamen Rider Zero-One
Yuzu Aoki (Gurimu Igarashi) — Aoi Shū — Kamen Rider Gaim / Heisei Riders vs. Showa Riders: Kamen Rider Taisen feat. Super Sentai
Raizo Ishikawa (Jingo Raichi) — Jiro Momoi / Don Dragoku / Don Torabolt — Avataro Sentai Donbrothers
Joey Iwanaga (Okuhito Iemon) — Vanken / Kamen Rider Vanken — Kamen Rider My-th
Keito Tsuna (Reo Mikage) — Melt / Ryusoul Blue — Kishiryu Sentai Ryusoulger
Kohei Higuchi (Zantetsu Tsurugi) — Momoi Taro / Don Momotaro — Avataro Sentai Donbrothers
Mei Hata (Anri Teieri) — Moor / Kamen Rider Abaddon — Kamen Rider Zero-One REAL×TIME
Keisuke Watanabe (Jyubei Aryu) — Woz / Kamen Rider Woz — Kamen Rider Zi-O
Keisuke Higashi (Shoei Barou) — Kamuri Mine-Taka / Kamen Rider Mao — Kamen Rider My-th
Serviço:
| A história de BLUE LOCK acompanha a jornada da seleção de futebol japonesa em busca de se reerguer após uma derrota vexatória na Copa de 2018. A solução para o futuro do time parece simples: ele precisa de um artilheiro, o atacante que vai liderar o time nacional rumo à vitória. Para encontrá-lo, a Confederação Japonesa de Futebol reúne os 300 jogadores de base mais promissores do país em um mesmo lugar para batalhar por seu lugar no time e provar que é capaz de trazer a glória ao time japonês.
O mangá de Muneyuki Kaneshiro e Yusuke Nomura é adaptado em filme live action pelo estúdio CREDEUS (“Kokuho”) e tem direção de Yûsuke Taki (“Amor em Águas Turvas”) e roteiro de Tetsuo Kamata (“Em uma Terra Muito Distante… Havia um Crime”). Já o elenco inclui nomes como Masataka Kubota (“Tokyo Ghoul”) no papel do mentor Jinpachi Ego; Fumiya Takahashi (“Our Secret Diary”) como o protagonista Yoichi Isagi; Kaito Sakurai (“Oshi No Ko”) como o driblador Meguru Bachira; Kyohei Takahashi (“And Yet, You Are So Sweet”) como o veloz Hyoma Chigiri; Koga Yudai, o K do grupo musical &Team, como o gênio da bola Seishiro Nagi, e muito mais. Com distribuição Sato Company, empresa referência em conteúdos asiáticos no Brasil, o filme live-action BLUE LOCK estreia em 10 de setembro. |
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| Sinopse:
Para desenvolver o melhor atacante do mundo para liderar o país ao título da Copa do Mundo, a União Japonesa de Futebol lança um rigoroso programa de treinamento.
Ficha técnica Blue Lock (“Burû Rokku”) Japão, 2026, Direção: Yûsuke Taki Roteiro: Tetsuo Kamata, Muneyuki Kaneshiro, Yusuke Nomura
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| SOBRE A SATO COMPANY
Fundada em 1985, a SATO Company é pioneira e referência na distribuição de animes e tokusatsu no Brasil. Seu portfólio inclui títulos icônicos como Akira, Ghost in the Shell, Ultraman, Jaspion e Jiraiya. A empresa atua nas áreas de produção, distribuição para cinema, televisão e plataformas digitais, além de agregação de conteúdo e licenciamento. A SATO foi responsável por trazer ao Brasil os vencedores do Oscar Godzilla Minus One e O Menino e a Garça e, em 2025, realizou o Ghibli Fest, celebrando os 40 anos da distribuidora e do Studio Ghibli. |





