Com um plot bastante interessante — em que a monarquia sobrevive até os dias atuais —, A Coroa Perfeita foi o grande queridinho e um sucesso absoluto do Disney+ na dramaland na época de sua estreia, mesmo sem a plataforma ter o mesmo peso de gigantes dos k-dramas como Netflix e Viki.
Grande parte do mérito se deve ao elenco: IU, Byeon Woo-seok, Steve Sanghyun Noh e Gong Seung-yeon sustentaram com maestria uma história simples, mas recheada de ganchos interessantes — embora, infelizmente, o fechamento tenha sido bastante amador.
A grande vantagem, sem dúvida, como já comentei anteriormente, foi esse elenco de milhões. O casal formado por Seong Huiju (IU), divertidíssima e com uma personalidade que lembrava bastante sua personagem em Hotel del Luna, e o Príncipe I-An / Lee Wan (Byeon Woo-seok), com a postura contida característica dos monarcas da era Joseon, foi a cereja do bolo.
Inclusive, um dos pontos mais altos foi justamente acompanhar comportamentos e tradições monárquicas em tempos modernos, com as devidas reverências palacianas e regras que costumamos ver apenas em k-dramas históricos. Comparar esse choque temporal com os dias atuais foi extremamente interessante e, sinceramente, acredito que tenha sido o grande fator que sustentou o romance.
Todo o conflito apresentado pelo príncipe I-An nos fez mergulhar em uma ficção que, em muitos aspectos, assemelha-se às monarquias reais que ainda existem hoje: cercadas por rígidas normas de etiqueta e convivendo com uma sociedade que, ao mesmo tempo que as ama, cobra a representação de toda uma nação.
Dito isso, a história apresentou conflitos e mistérios instigantes, criando expectativas e discussões acaloradas nas redes sociais sobre quem seria o grande “vilão” da trama. E foi justamente aí que o caldo entornou.
Muitas pontas soltas foram abandonadas ou inseridas de maneira equivocada e sem sentido ao longo da série. O resultado? Um final que praticamente anulou toda a construção apresentada desde o início, gerando uma enorme frustração em quem acompanhou a jornada dos personagens com tanto carinho — algo que comentei semana após semana no Noonacast.
É uma pena. Era uma série que prometia muito e que ganhou pontos não apenas pela premissa criativa e pelas locações em palácios reais da Coreia do Sul, mas também pela equipe técnica, que entregou uma fotografia, figurino, trilha sonora e direção impecáveis. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo do roteiro, que escorregou feio na reta final.
O Painel da Frustração: O que o roteiro NÃO respondeu?
⚠️ Alerta de Spoilers abaixo!
-
Mistérios esquecidos: Quem sabotou o carro? E quem causou o acidente da mãe do I-An?
-
Os incêndios: Quem foi o responsável pelo primeiro e pelo segundo incêndio?
-
O cofre: O documento parcialmente queimado dentro do cofre acabou não servindo para absolutamente nada.
-
Furos de roteiro: Como a rainha descobriu o contrato de três anos?
-
Vilania fraca: Que chantagem capenga foi aquela do ministro acusando o sobrinho por assumir a coroa com apenas 5 anos?
-
Núcleo secundário: O arco da empregada espiã ficou extremamente mal explicado.
-
Conveniência narrativa: As dores de cabeça do I-An perderam completamente a importância ao longo da série.
-
Subplot fiscal: A fiscalização de impostos na empresa de cosméticos, envolvendo lavagem de dinheiro, também ficou mal resolvida e sem explicações.
-
Descaracterização: No final, Huiju afirmar que não se importava mais em perder o título de rainha porque “aquilo não era o mais importante” praticamente destruiu o plot central da série.
-
O futuro: Afinal, o que o I-An vai fazer da vida a partir de agora?

Roteiro: 7,2
Direção: 9
Elenco: 10
Fotografia/arte: 9
Potencial de replay: ♥♥♥♥