
6.3
Classificado como 6.3 de 10
Fazer uma crítica de uma obra parece um processo simples. Muita gente acredita que basta assistir, dizer se gostou ou não, e missão cumprida. Mas existe um curioso paradoxo: quanto pior a obra, mais difícil é escrever sobre ela. Não porque haja muito o que analisar, mas porque os problemas são tantos que é preciso decidir por onde começar. E, pior, boa parte dessa análise pode parecer irrelevante para quem só quer acompanhar a história, já que envolve edição, direção, fotografia, efeitos especiais, montagem e outros aspectos técnicos que normalmente passam despercebidos.
O problema é que, quando todos esses setores falham ao mesmo tempo, eles deixam de ser detalhes e passam a ser parte do espetáculo.
Os cortes são tão amadores que o espectador acaba promovido a coeditor da série, tendo que preencher mentalmente as lacunas que a narrativa abandona pelo caminho. Isso já acontece no primeiro episódio, que traz uma transição tão brusca que dá a impressão de que faltam cenas ou de que alguém esqueceu de explicar que aquilo era um flashback.
Os personagens aparecem sem qualquer apresentação e desaparecem com a mesma naturalidade, como se o roteiro presumisse que o público já os conhecesse de outra produção. Situações são criadas apenas para serem desfeitas na cena seguinte. Paredes mágicas de contenção, por exemplo, existem apenas enquanto o roteiro se lembra delas. Quando deixam de ser convenientes, tornam-se tão atravessáveis quanto uma cortina. Há personagens que morrem, ou ao menos deveriam morrer, apenas para serem salvos por alguém que nem sequer estava presente na cena. Não porque a história exija isso, mas porque o roteiro precisava fabricar um momento dramático.
Em muitos casos, erros técnicos passam despercebidos pelo público. Neste wuxia, porém, eles são tão evidentes que até quem nunca prestou atenção em edição ou continuidade consegue notar que alguma coisa está muito errada.
A justificativa mais repetida é a de que a série sofreu cortes para se adequar ao limite de 40 episódios. Pode até explicar parte do problema, mas não explica o principal. O curioso é que, mesmo reduzida, a história consegue a proeza de ficar praticamente estacionada entre os episódios 10 e 17, onde absolutamente nada de relevante acontece. A exceção é uma briga completamente artificial entre Jiang Li Fei e Lei Xiu Yuan, criada exclusivamente para fabricar conflito e os mestres os colocando em missões que levam a parte alguma. O resultado? Em vez de desenvolver a protagonista, a série apenas faz o público perder a paciência com ela.
Quanto à história em si, fui conferir as avaliações no MDL e confesso que senti certo alívio ao descobrir que não era a única tentando entender uma narrativa tão confusa quanto arrastada. Sempre existe o receio de ter deixado escapar alguma genialidade escondida. Felizmente, não era o caso.
Outro problema é a legenda. Comecei assistindo pelo site oficial da Youku utilizando a tradução automática para português, que estava em estado de calamidade pública. Recorri então a um fansub, já que, não raramente, fãs fazem um trabalho superior ao das plataformas oficiais. Desta vez, porém, consegui o improvável: encontrei duas versões ainda piores.
No momento em que escrevo esta resenha, o Viki disponibiliza episódios até o capítulo 29. Dei apenas uma rápida conferida na legenda do primeiro episódio e percebi que alguns erros haviam sido corrigidos. Não tive coragem de verificar o restante.
No fim, sobra pouco para elogiar. O figurino é bonito, os protagonistas são visualmente muito atraentes e… praticamente é isso. Os efeitos especiais conseguem ser um pouco melhores do que os de Amor Entre Fada e Demônio, embora ainda abusem do velho truque do fundo desfocado (blur) para economizar na direção de arte. Pelo menos, o chroma key não proporciona momentos involuntariamente cômicos como a célebre multiplicação dos cavalos.
Se a intenção era produzir um épico de fantasia, o resultado ficou mais próximo de um manual ilustrado sobre como desperdiçar uma boa premissa. Ainda assim, se você pretende assistir apenas para desligar o cérebro e não levar absolutamente nada a sério, talvez consiga se divertir. Boa sorte. Vai precisar.

Roteiro: 5
Direção: 7
Elenco: 8
Fotografia/arte: 8
Potencial de replay: Não por favor
Quando um meteorito submarino traz consigo a mítica árvore Jianmu, cujo fruto, capaz de conceder poder supremo, mergulha imortais, demônios e monstros em uma guerra sangrenta. Um século depois, Xiao Bang Chui, uma órfã de Qingqiu, busca pertencimento e força ao ingressar na Academia Chufeng. Lá, ela conhece Lei Xiu Yuan, um jovem firme que carrega o fardo de salvar seu irmão mais velho gravemente enfermo. O laço entre eles se transforma de amizade em amor enquanto enfrentam juntos os desafios da academia. A vida de Xiao Bang Chui dá uma guinada dramática quando ela se transforma em Jiang Li Fei, uma figura de poder extraordinário. Suas novas habilidades e origens misteriosas atraem a atenção de facções poderosas, forçando-a a confrontar seu destino. Lei Xiu Yuan, leal e inabalável, permanece ao seu lado em todos os perigos, protegendo-a enquanto descobrem a verdade sobre sua linhagem. Juntos, eles enfrentam a rejeição da sociedade e desvendam os segredos de seus destinos compartilhados. No final, Xiao Bang Chui sacrifica tudo para restaurar o equilíbrio dos três reinos, com Lei Xiu Yuan como seu aliado devotado na batalha final contra o destino. (MDL)


