IMPORTANTE: Antes de iniciar minha reflexão, deixo claro que sou totalmente contra qualquer tipo de violência, seja ela praticada contra mulheres ou homens.
Por que o público está sendo pego de surpresa? Há um momento específico em que percebemos que as séries coreanas não são (apenas) o que parecem. Não sei se foi uma trend específica que viralizou, mas a cena final do episódio 12 de BEIJO EXPLOSIVO desencadeou uma enxurrada de críticas. Com razão, muitas fãs ficaram indignadas com o tapa que a personagem Ko Da-rim leva do chefe, afirmando que tal cena não teria espaço em uma comédia romântica.
O que me surpreendeu, no entanto, foi perceber que parte do público só notou agora que a Coreia do Sul também representa esse tipo de comportamento em suas obras. Houve um choque generalizado, alimentado pelo discurso comum de que “esse tipo de coisa só acontece na TV brasileira” e pelo jargão de que “de triste basta a vida”, como se o realismo cruel jamais cruzasse as fronteiras daquele país.
Quero deixar claro: eu amo as produções da Coreia do Sul. Consumo e admiro a qualidade EM TUDO do que eles fazem, mas sei distinguir muito bem o que é fantasia e o que é realidade.
O estranhamento de muitos é consequência direta de uma falta de repertório ou da fama equivocada que parte do público insiste em divulgar: a ideia de que a violência não existe nessas produções. Precisamos ser honestos: fora da bolha de quem só consome romances “receita de bolo”, há uma indústria coreana que produz de tudo. A cena do tapa, inclusive, foi “leve” perto de obras que mostram o espancamento brutal de subordinados e temas pesadíssimos de bullying e corrupção.
Além disso, precisamos parar com o complexo de vira-lata. Ao contrário do que muitos pregam ao usar termos pejorativos para a nossa TV, o Brasil possui obras incríveis, premiadas e, sim, com conteúdos excelentes voltados para toda a família. Temos produções nacionais que equilibram drama, ética e entretenimento com uma qualidade que não deve nada a nenhum outro país.
Para não me alongar, acrescento o seguinte: todos têm o direito de assistir ao que quiserem. Todavia, ao falar sobre K-dramas, é preciso honestidade para admitir que existem diversos gêneros e tons. Vamos manter os pés no chão: as séries são roteirizadas. Saiam dessa bolha de produções apenas fofas e entendam que a Coreia do Sul não vive só de romances açucarados. Você tem o direito de escolher o que consome, mas comparar a produção de um país com outro achando que aqui é sempre pior é um equívoco de quem assistiu a poucos K-dramas, ou ficou preso a um gênero muito específico e não deu atenção à enorme variedade que a indústria coreana realmente oferece.






