Nóis aqui nos BR estamos acostumados com cenas quentíssimas de beijos até na novela das 6, será que lá essa história é bem diferente?
Uma das coisas que mais me chamou atenção foi o modo como são classificadas as séries, a tal classificação indicativa.
Para quem não sabe, classificação indicativa (ClassInd) não é censura, como alguns pensam, mas sim um modo de avisar o espectador que aquele material contém alguma sequência/cena sensível para uma determinada faixa de idade, sejam produtos para televisão, mercado de cinema e vídeo, jogos eletrônicos, aplicativos e jogos de interpretação (RPG).
Não sou a veterana dos dramas, (até a presente data), conto com meia dúzia de títulos assistidos, porém, pude notar, que cenas violentas e momentos de tensão são “comuns” em alguns onde a base da narrativa é a comédia. E os beijos (ah, os beijos), são quase que adolescentes, um selinho como diria a querida Hebe Camargo.
Seria uma forma na narrativa para aumentar a tensão entre os personagens? Censura? (Essa sim). Ou um comportamento social? Quem sabe aí me explica.
Para quem aqui nos trópicos está acostumada ver beijos de tirar o fôlego, literalmente, é até interessante ver a quase total falta de demonstração de afeto com toque físico, seria proibido? Mas vamos pensar assim, foi o que deu para entender. Mas em compensação, as cenas de violência tanto física quanto psicológica. Essas sim, mandaram beijinhos.
Pelo menos em duas que assisti, percebi essa diferença. Então como eu sempre digo, senta que lá vêm spoiler.
Em O que Houve Com a Secretária Kim?, o plot da série foi o sequestro dos protagonistas quando criancinhas. Em uma cena no final, temos a revelação que ambos ficaram amarrados por dias em cativeiro, e no final a sequestradora acaba se enforcando.
Apesar de não mostrarem de maneira explícita a dita cena, o medo das crianças e como a direção optou por demonstrar isso, chega doer na alma.
Outro exemplo Mulher Forte, Do Bong-soon. Uma série fofíssima e divertida que dá vontade de guardar em um potinho. Mas, porém, contudo, todavia, – entre o meio há vários capítulos com o psicopata e as moças feridas e aterrorizadas em cativeiro. Além é claro, da sequência em que a pequena Do Bong-Soon fica amarrada a uma bomba e seu amado An Min-Hyuk tenta resgatá-la mesmo com as mãos ensanguentadas. Aliás, aproveitando que essa cena foi um show de interpretação. Depois dessa sequência de emoção extrema, no final a bomba explode como fogos de artifício. Eu fiquei what? (Não é uma crítica a cena foi ótima)
Agora vamos aos beijos: Bem, até agora, todos são modestos, e como bem lembrei. São quase como aqueles romances dos anos 80.

Isso não é necessariamente ruim. É muito legal, pois aumenta a tensão que temos em ver finalmente aquela cena em que os protagonistas se beijam. Mas enfim.
Acredito de verdade que haverá em algum lugar (ou vários), cenas mais quentes, contudo, a ideia do artigo é demostrar esse contrate classificatório não é mesmo?!
Até agora no momento que escrevo, não assisti nenhuma em que o beijo fosse do tipo BR sabe! Juro, que quando isso acontecer (e sei que vai), comento na minha resenha. E fica registrado na história. E aí, percebeu isso também? Ou é loucura minha?
Já assistiu alguma série em que acontece a mesma coisa? Sangue sim, beijo não!
Ou, me conte aquela série onde o beijo valeu a pena.
Atualização: 30/03/2026
A real razão dessas diferenças: Cenas de violência extrema com espadas, sangue jorrando, decapitações e lutas brutais em dramas históricos (wuxia/xianxia chineses, sageuk coreanos ou jidaigeki japoneses) passam com relativa facilidade pela censura. Já beijos longos, intensos ou “quentes”, cenas de intimidade ou qualquer coisa que sugira sexualidade explícita são frequentemente cortadas, suavizadas ou simplesmente evitadas. O critério não é aleatório: é uma mistura de cultura confuciana, políticas governamentais e regulamentações específicas dos órgãos de censura de cada país.
1. Influência cultural confuciana (o grande pano de fundo)
Países como China, Coreia e Japão foram moldados pelo confucionismo, que valoriza a modéstia pública, o autocontrole emocional e a harmonia social. Afeto físico (beijos, abraços, sexo) é visto como algo privado e “indecente” quando exibido abertamente — especialmente em TV aberta ou plataformas acessíveis a famílias e jovens. Já a violência em contexto histórico ou heroico (guerreiros defendendo a honra, o império ou a justiça) é culturalmente normalizada e até romantizada: faz parte de narrativas épicas antigas (como os romances clássicos chineses ou samurais japoneses). Não é vista como “corruptora” da mesma forma que a sexualidade.
2. China: o caso mais extremo (NRTA é o “vilão” principal)
A National Radio and Television Administration (NRTA) revisa tudo antes de ir ao ar. As regras explícitas proíbem conteúdo considerado “vulgar”, “imoral” ou que “prejudique os valores socialistas”:
- Beijos longos, cenas de cama, nudez, intimidade física e qualquer coisa “erótica” → cortadas ou substituídas por cortes rápidos, olhares, chuva ou flores (é meme entre fãs).
- Relações “anormais” (incluindo LGBTQ+), prostituição, “liberdade sexual” etc. → banidas.
Já violência extrema em lutas de espada, sangue e gore em wuxia/xianxia é permitida porque faz parte do gênero histórico/heroico e não “promove o mal” diretamente (os heróis geralmente lutam pelo bem). Há censura de sangue em animações infantis ou conteúdo “vulgar para crianças”, mas em dramas adultos de ação histórica é padrão. Exemplo clássico: dramas como The Untamed ou Word of Honor tiveram romance extremamente suavizado, mas lutas sangrentas intactas.
A justificativa oficial é “proteger a moral pública” e promover “valores tradicionais saudáveis”. Sexo é visto como risco maior à juventude e à taxa de natalidade do que violência fictícia.
3. Coreia do Sul: censura de TV mais conservadora
A Korea Communications Standards Commission regula o conteúdo de TV aberta (KBS, MBC, SBS). Beijos “quentes” ou cenas de sexo eram raríssimos até pouco tempo (os famosos “fish kisses” — beijinhos rápidos e sem paixão). Mesmo hoje, em dramas românticos, a intimidade é sugerida, não mostrada. Violência em thrillers, vingança ou dramas históricos com espadas e sangue é bem mais tolerada (especialmente em canais a cabo ou Netflix).
Houve um endurecimento nos anos 2000 com governos conservadores, que impuseram padrões mais rígidos para “proteger a família”. Violência é vista como “drama” ou “ação”; sexo como “inadequado para horário nobre”.
4. Japão: um pouco diferente, mas segue a lógica
No Japão (anime, tokusatsu, filmes), a violência gráfica é muito mais livre (pense em Attack on Titan, Berserk ou JoJo com sangue voando). A lei de obscenidade (Artigo 175) foca em genitais explícitos (por isso o famoso mosaico/censura em hentai), mas beijos, fanservice e até nudez parcial são comuns. No entanto, em TV aberta ainda há autocensura e cortes de gore em alguns casos. O critério é mais liberal que na China/Coreia, mas ainda prioriza “não mostrar sexo explícito realista”.
Resumo do critério geral
| Aspecto | Violência extrema (espadas, sangue) | Beijos/intimidade “quente” |
|---|---|---|
| Critério moral | Aceita como “histórica”, “heroica” ou catártica | Vista como “vulgar”, “imoral” e corruptora da juventude |
| Impacto na sociedade | Não ameaça “valores familiares” | Ameaça modéstia confuciana e ordem social |
| Órgãos de censura | Tolerada se não for gratuita ou anti-governo | Quase sempre cortada ou proibida |
| Exceções | Animações infantis (China) ou conteúdo “realista demais” | Netflix/cabo (mais flexível hoje) |
Em resumo: não é que a censura “goste” de violência. Ela simplesmente considera o sexo uma ameaça maior aos valores tradicionais, à moral pública e à imagem “saudável” que o Estado quer passar. A violência com espadas é “entretenimento épico”; um beijo quente é “decadência”. Isso vem mudando devagar com plataformas como Netflix (mais liberdade), mas na TV tradicional e nas produções mainstream ainda é assim.






