Sou uma grande amante de documentários musicais e digo, com absoluta certeza, que “The Rose: Come Back To Me” — que estreia em 14 de fevereiro com distribuição da Sato Company — é uma das apresentações mais autênticas e honestas do gênero. O filme demonstra a jornada dos quatro membros até o estrelato com muita intimidade e vulnerabilidade, trazendo críticas à indústria do K-pop, desconstruindo estereótipos e revelando a luta do grupo por liberdade criativa. Tudo isso é adornado por pinceladas de animações minimalistas que representam tanto os momentos musicais ritmados quanto emoções contidas.
Eu não conhecia o trabalho da banda de rock e fiquei apaixonada pela honestidade de cada segmento, que funciona como uma biografia perfeita de cada membro. O documentário escancara como o tempo traz o sucesso, mas também como uma rosa em sua florescência: muitas vezes com espinhos que machucam a alma enquanto cresce rumo ao esplendor. Em meio à exibição, vemos como a indústria pode transformar desconhecidos em ídolos, mas, às vezes, com custos que superam qualquer drama sul-coreano. Diferente de produções focadas apenas em shows, o longa expõe bastidores, tropeços e a rotina de Woosung, Dojoon, Hajoon e Jaehyeong, tendo como ponto de partida o histórico show no Coachella 2024.
A sensibilidade das cenas, escolhidas a dedo, demonstra a fragilidade de cada um, seus momentos de incertezas, mas também a esperança de que dias melhores viriam. Por meio de entrevistas e imagens de arquivo, o filme reconstitui como eles se conheceram e aborda temas densos, como o hiato forçado, processos judiciais e o serviço militar, mostrando a transição para a independência e o retorno com o álbum “HEAL” — uma verdadeira jornada do herói digna de um K-drama de superação.
Seria simplista dizer que o documentário é “só isso”; ele vai muito além. Para quem já é fã, é um presente inestimável; para quem ainda não conhece, deixo o recado: eles são incríveis e ganharam aqui mais uma admiradora que, com certeza, passará a acompanhá-los.
Seja você um “Black Rose” de longa data ou alguém que nunca ouviu falar de Woosung (Sammy), Dojoon (Leo), Hajoon (Dylan) e Jaehyeong (Jeff), eis a chance de apreciar esse material incrível. Dirigido por Eugene Yi, o documentário é um olhar íntimo sobre resiliência e independência artística, consolidando o grupo no rock autoral. É uma verdadeira carta de amor à irmandade e aos fãs.
No Brasil
The Rose fez história no Lollapalooza Brasil 2023 como a primeira banda sul-coreana a tocar no festival, substituindo Omar Apollo no dia 26 de março. A performance no palco Adidas foi aclamada, sendo eleita a melhor do festival pelos leitores do G1 com mais de 78% dos votos, destacando sucessos como “Sorry”. Posteriormente, a banda retornou ao Brasil com a turnê “Once Upon A WRLD” em agosto de 2025.
| SOBRE THE ROSE
Formada por Kim Woosung (vocal e guitarra), Park Dojoon (vocal, teclado e guitarra), Lee Hajoon (bateria) e Lee Taegyeom (baixo), a banda sul-coreana The Rose consolidou-se como um dos nomes mais influentes do indie rock global, rompendo as barreiras tradicionais do mercado asiático. O grupo iniciou sua trajetória em 2017 com o single “Sorry”, que imediatamente capturou a atenção da crítica especializada e da Billboard, destacando-se pela sonoridade inspirada no britpop e pela entrega vocal emocional e distintiva de seus integrantes. Diferente do modelo convencional da indústria de entretenimento coreana, o The Rose trilhou um caminho pautado pela autoria e independência. Após estabelecerem sua identidade com os elogiados EPs Void e Dawn, os músicos enfrentaram um período de hiato devido a um processo judicial contra sua gravadora, e para o cumprimento do serviço militar obrigatório de parte dos integrantes da banda. Retornaram em 2022 com uma estrutura própria sob o selo Windfall. Este novo capítulo foi marcado pelo lançamento do álbum HEAL, um projeto conceitual que explorou a cura através da música e alcançou o topo das paradas de álbuns de rock e alternativos, impulsionando uma turnê mundial com arenas lotadas e passagem no Brasil com o show “Heal Together World Tour” em São Paulo em dezembro de 2022. Recentemente, a banda elevou seu status ao se tornar presença constante no line-up dos maiores festivais de música do mundo. Com o lançamento do álbum DUAL em 2023, o quarteto demonstrou maturidade ao explorar a dualidade entre o “claro” e o “escuro” de sua sonoridade, o que os levou a apresentações históricas no Coachella e nas edições globais do Lollapalooza, incluindo o Brasil, em que a banda foi o primeiro ato coreano a se apresentar na edição brasileira do festival. Combinando uma performance de palco eletrizante com uma conexão profunda e vulnerável com sua base de fãs (os “Black Roses”) o The Rose reafirma, a cada projeto, sua posição como uma força criativa única que traduz sentimentos universais através do rock contemporâneo. |
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| SINOPSE A ascensão, o hiato e o retorno triunfal. THE ROSE: COME BACK TO ME revela os bastidores da banda que desafiou a indústria para retomar sua carreira e reencontrar milhões de fãs sob suas próprias condições. |
FICHA TÉCNICA
Direção: Eugene Yi
Produção: Diane Quon, Sanjay M. Sharma, Milan Chakraborty, James Shin, Joe Plummer
Elenco: The Rose (Kim Woosung, Park Dojoon, Lee Hajoon, Lee Taegyeom)
Gênero: Documentário
País e Ano: Coréia do Sul, 2026
Duração: 97’
Distribuição: Sato Company
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| SOBRE A SATO COMPANY Fundada em 1985, a Sato Company é pioneira na distribuição e referência em animes e tokusatsu, com um portfólio que inclui títulos de sucesso de público e crítica como Akira, Ghost in the Shell, National Kid, Ultraman, Jaspion e Jiraiya. Sua atuação inovadora abrange produção e distribuição para cinema, televisão e plataformas digitais (SVOD/TVOD/AVOD), além de agregação de conteúdo e licenciamento de produtos. |
A empresa foi responsável por trazer ao Brasil os filmes vencedores do Oscar Godzilla Minus One e O Menino e a Garça, e em 2025 organizou o Ghibli Fest, celebrando os 40 anos tanto da distribuidora quanto do Studio Ghibli.





